História de um Nômade Digital

A história desconexa de nômade inconformado chamado Dan.

As 4 alegrias de um nômade digital inconformado são 3: ordem e progresso

Dan Cortazio

Eu, Dan Cortazio

Começo a escrever este texto em Março de 2013 no aeroporto de Auckland, Nova Zelândia, pouco tempo depois do meu aniversário de 25 anos. Aqui foi o país responsável pelo estilo de vida nômade que levei nos últimos quase 5 anos, onde passei por 33 países diferentes.

Voltar à “Terra Média” é completar um ciclo, pois na verdade, ingênuo, meu objetivo era 70 países antes dos 25. Não sabia o quão difícil e tola teria sido essa decisão. Afinal o que são números quando o que importa são as experiências e histórias de cada lugar que passamos?

Então agora o objetivo mudou: conhecer todos os países do mundo antes de morrer! Mas devagar…

Nasci, logo existo. E foi lá no Hospital de Base/Brasília mas fui registrado em Minas. Cresci no Espírito Santo (Guarapari), em Curitiba e Brasília. Desde os 5 anos de idade era colocado no aeroporto e aos cuidados da aeromoça viajava “sozinho” na findada Transbrasil para visitar a mãe biológica e família em Brasília. Completei 12 e já não tinha desculpa para não ir de ônibus, também “sozinho”.

A viagem sempre correu o sangue, a mente, as rodovias, os ares e mares. O pai de criação era assim, o biológico também. O peixe tinha que ser.

Aos 17, bati o pé, queria ir mais longe. Influência do irmão/tio, que anos antes se despediu tão calorosamente e foi viver o sonho americano. Decidi também iniciar a experiência de ir além do conhecido, confortável e conveniente pra mim. Encarei o desafio de um novo país, língua, cultura. O destino foi a terra dos kiwis: Nova Zelândia.

Mas como consegui ir para o outro lado do mundo tão cedo sem ajuda financeira integral da família? Vou te contar parte da história…

Como já contei, eu cresci em Curitiba, mas quando tinha 14 anos fui morar um ano com minha mãe biológica em Brasília. Bem, a situação financeira era bem diferente – apesar de ter um troco para ir à escola, não tinha o suficiente para fazer o que queria – então lá comecei a trabalhar praticamente todos os dias da semana como cobrador de lotação na findada linha 89. Meu grito de guerra diário era: “Taguatinga Centro, Bradesco, Guará 1 e 2”!  – as vezes colocava EPTG no meio, quando a lotação estava menos lotada.

– Passa na EPTG moça… Bora?

Não demorou muito e tive a oportunidade de trabalhar como ajudante de pedreiro também, principalmente nos finais de semana. Pintava o portão, passava verniz na porta, varria o chão, enfim, metia a pá na massa.

Levava os 2 trampos e os estudos com 14 anos – minha irmã conta rindo as vezes que dormia a primeira aula (as vezes a segunda também) de tão cansado – os professores já estavam até acostumados e os amigos de classe já respondiam “Presente!” por mim.

Era um lifestyle pesado, realmente, mas eu gostava muito da liberdade financeira que o trabalho proporcionava. Não ganhava muito, mas não importava – era o necessário para ter meu próprio dinheiro e assim podia sair com meus amigos da igreja no sabadão pela noite e domingo. Eu até comecei a tocar batera com eles no grupo de adolescente + jovens – era sensacional!

Eu disse que lhe contaria como fiz para viajar para o outro lado do mundo sem apoio financeiro integral da família, não é mesmo?

Aguenta aí…

Agora se você consegue ler inglês, eu escrevi um eBook onde conto um pouco mais sobre como consigo viajar tantos países sem voltar para trabalhar no Brasil, sem juntar dinheiro antes e sem ter pais ricos que bancam a viagem: http://storyv.com/travel-more-now

Travel More: A Full-time Travellers Guide To Seeing The World While Getting Richer

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Porém se o inglês é uma barreira, no problem!

Continue lendo e depois assine meu blog que meu objetivo não é apenas te inspirar a viajar mais mas também te ajudar a ganhar dinheiro pra isso… de preferência online, que é como eu faço.

Se depois de ler um ou dois posts você tiver vontade de juntar as as bugigangas e cair na estrada = objetivo alcançado!

Mas se ler vários posts, colocar em prática os conhecimentos e de fato trilhar o caminho em realização de seus objetivos = missão cumprida!

Vivendo na Nova Zelândia

Em 2006 eu fui morar na NZ. Depois de sofrer com o inglês aprendi rapidamente a me virar nos 30 antes dos 20. Imagina um cara que não conseguia nem pedir um Big Mac porque a moça perguntava: “Eat here or take away?”
“Big Mac…”?
“No sir, I’m asking… eat here or take away?”
“Coca-cola…”?

Foi difícil, mas sobrevivi. Alguns meses de muita dedicação e esforço (esse livro ajudou MUITO) encontrei um emprego numa agência de internet (mágica!) – me deram até um visto de trabalho e um bom salário. Mas em 2008 vendi minha BMW (meu primeiro carro), larguei o emprego e fui viajar mais pelo mundo.

Viajando de bicicleta

Depois de passar 2 anos na Nova Zelândia, resolvi voltar para o Brasil e começar um mochilão subindo o Nordeste. Acabou que depois do segundo estado, depois da Bahia e de ter meu Macbook preto roubado, conheci um viciado em ciclismo que me mostrou a possibilidade de viajar de bicicleta, que até então nem conhecia.

Como não tinha muito a perder, mesmo porque tinham levado meu bem material mais valioso da vida até então (o Macbook), não pensei duas vezes! Caí na estrada (literalmente várias vezes!) e fui de Sergipe até o Ceará.

Eu de bicicleta no nordeste (mais de 1500 km)

Eu de bici no nordeste (mais de 1500 km)

“A vida é como andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio, você deve se manter em movimento.” ~ Albert Einstein

Família

Certa vez fui visitar a família em Brasília – aproveitando um breve intervalo na viagem de bicicleta pelo nordeste – e a mãe biológica fez um comentário inusitado na frente de todo mundo, em pleno churrascão da lage:

“Ah já sei porque gosta de viajar tanto, você foi feito no capô de um carro” — Mãe do Dan

POOORRAda! Agora tudo fazia mais sentido, rs.

Se você leu até aqui talvez entendeu que fui adotado. E o mais interessante? Pelo avós, mas que sempre os considerei como pai e mãe, mesmo porque me criaram por quase toda a vida até o final da adolescência. O pai biológico devo ter visto umas 2 3 vezes na vida e na verdade nem lembro direito – se eu ver na rua nem sei quem é (atualização recente) em Novembro de 2014, em Brasília, o vi novamente. Quando o conheci a primeira era muito pequeno.

Quanto a mãe biológica, sempre amei também como mãe, mas até entender que tinha DUAS mães, foi muito difícil, confesso. Algumas pessoas acham que sou privilegiado por isso, mas na verdade mal sabem a confusão que foi na minha cabeça, desde muito pequeno.

Por essa loucura toda, acabo por ter mais de 10 irmãos e irmãs, no papel, por consideração e de sangue. Se um dia você me conhecer ao vivo, posso contar melhor essa confusão generalizada.

Primeira Eurotrip

Ainda no Ceará comprei uma passagem barata pela Iberia para minha primeira Eurotrip. E muita coisa aconteceu que se eu fosse lhe contar, teria que escrever um livro… Mas aqui um pouco, na ordem de acontecimento:

Viajei Portugal, morei em Barcelona, visitei a Suiça, comprei uma Ford Escort na Inglaterra e viajei vários países da Europa, morei nas Filipinas, viajei Malasia, Singapura e Hong Kong, voltei para o Brasil, morei em Floripa, visitei várias cidades em encontros de CouchSurfing (até me tornei embaixador), viajei para Moscou, visitei 2 amigos na Finlândia, amigos canadenses me pegaram de carro na Alemanha e viajamos vários países na Europa, vivi algumas semanas na Hungria, viajei para Dubai, morei na India, visitei o Nepal, voltei para o Brasil, fiquei um tempo com minha família em diferentes estados, morei em Berlin, morei no Nepal, morei novamente na Nova Zelândia, morei em Hong Kong, morei na Tailândia e…

Quarta Eurotrip

Viajei para Inglaterra com minha parceira Hannah, compramos uma van, 2 bicicletas (o Rover e a Peggy) e rodamos milhares de quilômetros. Dessa vez, já que a Hannah resolveu encarar o mundo virtual, blogamos toda a aventura em diversas plataformas: site/blogFacebookInstagram e YouTube (as principais).

Depois do Reino Unido fomos morar um mês em Amsterdam… simplesmente fantástico. Depois viajamos para conhecer alguns lugares da Itália. Como ambos queriam passar o natal com a família, nos despedimos: eu voltei para o Brasil e ela para a Austrália.

To be continued…

Não quero me gabar com isso, longe disso. Se tenho a chance de inspirar sua vida pelas palavras e vídeos publicados, assim o farei. Quero te mostrar também que para viajar o mundo você não precisa ser rico. Aliás, o que é ser rico pra você? Apenas muito dinheiro no banco?

Aqui a lista completa dos países que já passei.

Acredito que todos sonham. Esse sonhos acabam se tornando objetivos e desafios para encontrar a felicidade plena. A cada conquista, um novo desafio surge, que geralmente é um medo a vencer.

E para enfrentar um desses medos, recomeço a escrever. Pois talvez seja verdade que ‘a felicidade só é real quando compartilhada‘.

E esse logo copycat e nome estranho?

nomadanlogoexp-peq

Nomadan veio à mente depois que um amigo na NZ me chamou de mad (louco), só porque avisei de última hora que tinha decidido morar um tempo no Vietname (mas acabei indo para Tailândia)‎. A ideia foi juntar nomad (nômade em inglês), mad (louco) e Dan.

12 em chinês e japonês

12 em chinês e japonês

Os 3 pontos em grupo abaixo de cada letra simbolizam as 3 partes que acredito que o ser compõe: corpo, mente e espírito. Também a Trindade e muitos outros significados.

Eles totalizam 12 pontos. Um número muito importante em diversas religiões como Cristianismo, Hinduísmo, Judaísmo, Islamismo e outros sistemas de crença. É também um número de osculação, positivo, pentagonal, sublime e Harshad, que em sânscrito significa joy-giver (alegria). Temos 12 nervos cranianos.

E olha só o capítulo 12, versículo 2 do livro de Romanos na Bíblia: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”

As cores remetem ao Google, empresa que proporciona maior parte dos recursos necessários para continuar essa jornada. Felizmente, todo mês enviam o pagamento para minha conta, e então posso manter esse título de ‘nômade digital‘.

Portão 7. Partiu Hong Kong…

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