Larguei meu emprego na Nova Zelândia: quase R$8.000,00 de salário, visto de trabalho e mais…

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Imagina um brasileiro sem diploma universitário, quase um adolescente (menos de 20) e num país desconhecido que mal sabia a língua. E pra agravar, num emprego com escritório bacana, visto de trabalho e salário de quase R$8.000,00 por mês…

Não sei você, mas talvez essa seria a vida que muita gente sonharia ter. E sabe de uma coisa? Larguei tudo para mochilar o mundo. 

Chapada Diamantina, 2009
Chapada Diamantina, 2009

Alguns já me chamavam de louco quando vazei do Brasil com 18 anos e sozinho. Agora, largar tudo na Nova Zelândia pra mochilar pelo mundo afora, isso é simplesmente insanidade!

Então eu decidi escrever este post com algumas das razões e talvez você pode até se identificar com algumas delas.

Senta que lá vem história™…

Você já parou para pensar quantos países no mundo?

Quando ainda na Nova Zelândia eu fui pesquisar e fiquei assustado com o número: 193, estados-membros da ONU ou 242, considerando territórios dependentes.

Se você leu um pouco da minha história percebeu que a viagem já estava enraizada no meu ser:

1) Fui feito no capô de um carro… (pensei em colocar uma imagem pra ilustrar mas achei melhor não).

2) Quando tinha 8 meses de vida meu avô, que virou meu pai, já me levou pra dar um rolê de mais de 1800 km, lá de Brasília até Guarapari – ES, com pit stop em Minas pra registrar o motor (sim, eu).

3) Aos 3 viajei pra morar em Curitiba.

4) A partir dos 5, mais ou menos, eu era colocado no avião da findada Transbrasil e aos cuidados das aeromoças (oba!) decolava todo ano para visitar a mãe biológica e a outra família.

transbrasil

5) Aos 12 já não tinha desculpa para não ir de ônibus, também “sozinho”. Acabou a mordomia filhão!

6) Aos 14 fui morar em Brasília por um ano e meu trampo, além de pintor e ajudante de pedreiro (daqueles que metia a pá na massa), foi cobrador de lotação. Meu grito de guerra a cada viagem era: “Taguatinha-centro, Bradesco, Guará 1 e 2“.

7) Meu pai sempre gostou da estrada e não tinha receio algum de encarar mais de 1800km de viagem pelo Brasil, em uma só pegada. Viagens de Curitiba para o Rio, Espírito Santo, Santa Catarina eram frequentes.

8) Meu irmão/tio se despediu e fui para viver o sonho americano com a família toda. Isso influenciou bastante – nas conversas por telefone sempre imaginava como seria morar em um lugar tão diferente.

Primeira razão: Sou um viciado em viagem

Todas essas viagens constantes me viciaram, confesso. Não sei se o vício é bom ou ruim, só sei que foi assim.

Agora que você sabe que sou um viciado, pode entender que quando vi a quantidade de países no mundo, eu caí pra trás.

Na verdade deu até vontade de gritar da janela de frente pro mar. Me perguntei e pensei (sim, as vezes eu consigo!)…

Quantos anos levaria para conhecer todos os países do mundo? Bem, se eu continuar no meu emprego, que exige minha presença física, levaria talvez uns 200 anos pra conhecer todos. Perfeito! É claro que eu chego lá…

Não, acho que não.

O mundo é muito grande pra eu girar no mesmo lugar ~ Nomadan

E você pode se perguntar, “Nossa que viagem, pra que conhecer todos os países do mundo? Que coisa de mongol…” – é também quero ir a Mongólia – Dãh!

Segunda razão: Mundo de oportunidades

De maneira alguma sou ingrato pelo que vivi na Nova Zelândia. Pelo contrário, poderia escrever centenas de palavras sobre as experiências que a viagem me proporcionou:

  • Novas amizades
  • Novas perspectivas
  • Educação diferente
  • Segunda língua fluente
  • Novas aventuras
  • Novas habilidades
  • Novas perguntas sobre a vida

E justamente por pensar em cada ponto, imaginei como seria se eu encarasse novos países e claro, desafios.

Não que morar num mesmo lugar também não proporcione tais experiências e transformações. Eu só achei que sendo exposto ao desconhecido da maneira que fui, lá na Nova Zelândia, a intensidade da mudança foi, além de alta, muito rápida.

Terceira razão: Dinheiro é apenas o meio

Tomei a decisão de largar não só o emprego com salário alto (principalmente para alguém nas minhas condições) mas também a possibilidade de uma vida extremamente estável em um país almejado por muita gente, onde a qualidade de vida é altíssima.

Meu primeiro carro, uma BMW.
Meu primeiro carro, uma BMW.

Quando falei para alguns amigos que estava indo embora da Nova Zelândia, a reprovação era instantânea: “Cara, você já está aí há quase 2 anos, daqui a pouco pega sua residência – Cara, você tem um ótimo salário e é tão novo – Cara, tanta gente querendo entrar aqui pra conseguir um visto e estabilizar e você quer sair!” – basicamente estavam dizendo: “Cara, você é louco…”

Foi uma decisão difícil, claro. Realmente tive que colocar muita coisa na balança. Mas sabe de uma coisa? Pensava comigo mesmo… Só tenho uma uma vida e se eu não correr para realizar meus sonhos, quem vai?

Só que para realizar alguns sonhos, o dinheiro se faz necessário.

A verdade é que se desse, eu odiaria o dinheiro. Acho que seria muito mais legal viver em uma sociedade sem o sistema monetário. Só que não é assim. Então somos treinados a gostar dele porque com ele chegamos a um fim.

Viagem x dinheiro

Alguns podem dizer: “Ah, se eu tivesse muito dinheiro eu também sairia mochilar o mundo!

E talvez você pode até ter pensado que juntei uma grana pra sair mochilando pelo mundo, afinal, com um salário de 8k!

Mas não. Saí da Nova Zelândia com menos, muito menos, do que quando eu fui. Cartão de crédito é uma desgraça pra quem não sabe usar – tsc tsc tsc.

A boa notícia é que investi em pessoas que por sua vez investiram seu tempo em criar conteúdo, que gerou audiência, que no seu tempo, brotou e virou uma árvore frutífera online.

Dessa árvore eu e outras pessoas se alimentam.

Então quando queimei a ponte da Nova Zelândia, do emprego, do visto e tudo mais, eu já tinha uma bóia pra atravessar o rio sem afogar. Mesmo porque eu não sei nadar muito bem…

Outra coisa, você não precisa ser rico pra viajar o mundo. A verdade é que viajar pode ser muito mais barato que cuidar de um lar no Brasil ou em qualquer outro lugar.

Um amigo francês viajou mais de 70 mil km de carona pela América do Sul por 2 anos e com menos de R$500,00 por mês.

“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.” ~ Jean Cocteau

Aliás, o que é ser rico mesmo? Muito dinheiro no banco? Casa na praia? Carro importado e um telefone celular? ♫ Calça da Diesel?

Leitura recomendada: [Entrevista] Ele disse: Adeus, Zona de Conforto – 18 meses e 52 países depois, olha o que aconteceu

E você? O que como se sente depois de ler esse texto?

20 Comentários

    • Grande! Fico animado em saber que a história é motivadora! Era isso que queria mesmo! Obrigado pelo comentário e um abraço! Nos vemos em breve ein!

  1. Dan…. Na realidade me sinto ate um pouco triste comigo mesmo… 🙁 Pois não estou fazendo o que mais gosto. Mais em breve podemos nos encontrar por essas estradas do mundo 😉 Abraços e Sucesso sempre !

    • Que nada Adriana! Não fique triste! Pense no que pode fazer agora! É importante termos metas, mas se vivermos só nelas, não aproveitamos o presente não é? Espero muito sim encontrar contigo mundo afora! Muito sucesso pra você também! Abraço e obrigado por passar aqui.

  2. Chefinho, eu imaginava que tua história de vida devia ter sido cheia de mudanças e mais mudanças, mas não sabia que tinham sido tantas.ahahah
    Sabendo de tudo agora ja não te acho mais um maluco que largou tudo. hahahah Acho que a tua história é acima de tudo uma história de coragem. (: Parabéns,viu?! Muitas histórias maneiras e muitos lugares legais pra ti conhecer ainda. Que venham mais textos como esse. (:

    • Hahahaha o post teve efeito então. Não sou tão maluco assim? Que bom! Sinto um conforto agora!
      Vou tentar aqui fazer mais posts como esse, mas é difícil. Esse aí tive foram alguns neurônios sacrificados…

      Obrigado pelo comentário e vista. Até mais…
      =)

  3. Brother, conhecer assim mais de perto sua história me dá mais força para prosseguir na minha mudança. Ler esse relato me dá mais certeza de que “largar tudo” como estou fazendo para ir morar do outro lado do oceano não é uma maluquice como alguns insistem em apontar e sim, ao contrário disso, um grande passo em direção à realização dos meus sonhos.
    Agora tenho mais convicção de que não estou “largando tudo”, mas apenas desamarrando a âncora da pseudo segurança que me mantém no mesmo lugar.

    Continue com esses relatos, são inspiradores.

    Ah, e fique pelo menos uns 2 meses na Escócia antes de ir pra Irlanda, daí podemos nos encontrar por lá em outubro pra trocarmos umas ideias.

    Um grande abraço.

    • Dan, a verdade é que somos treinados a sonhar igual, começando pela imposição do Estado e família na educação.

      Eu por exemplo nunca gostei de muito de ir à escola. Se pudesse, não iria.
      Pensava comigo mesmo. Oras, sou um indivíduo independente, por que tenho que aceitar esse padrão definido pela sociedade?

      Outro ponto: inveja, pessimismo ou os dois juntos.
      Quando na Nova Zelândia lavando um carro e rodeado de brasileiros, achei o cartão dessa agência de desenvolvimento e perguntei para eles se deveria falar com o dono. Claro que todos, sem exceção, disseram que não – ainda mais porque meu inglês era pior que terrível! Se eu fosse pelo conselho deles ficaria lá, lavando carro.

      Minha conclusão é que nem tudo que dizem pra você é o melhor – nem todos querem que seja feliz, nem todos querem que tenha sucesso. Temos que quebrar algumas regras para se diferenciar nesse mundo competitivo.

      Acabei de publicar um discurso do Arnold Schwarzenegger com suas 6 regras para o sucesso: http://nomadan.org/arnold-schwarzenegger/ – a segunda é justamente essa, quebrar as regras.

      Por isso, acho que você está mais que certo em seguir com seu sonho. E quando alcançar esse, lhe convido a desafiar a si mesmo criando novos!

      Escócia
      E infelizmente não vou ficar aqui muito tempo. É muito frio! rs
      Mas devo ficar na Europa por mais alguns meses e quem sabe eu consigo pegar um avião pra lhe visitar!

      Abraço e muita força!

  4. Dan, qual o segredo para ter essa coragem? Estou trabalhando na Internet faz uns 2 anos e também em um trabalho formal, daqueles que tem que picar cartão de ponto e tudo… mas fico paralisado! Não consigo vencer o medo de largar tudo e fazer somente o que amo fazer… fico preso pelas algemas da estabilidade (da grana) e dos compromisso de sustentar minha família… fala ai um pouco sobre como romper com essas amarras

    • Oi André! Legal ver seu comentário por aqui.
      Eu acho que o segredo para ter coragem é agir.

      “A ação cura o medo” — David J. Schwartz, The Magic of Thinking Big

      Aqui tem um vídeo legal sobre isso: http://nomadan.org/medo/

      Quando eu decidi viajar mais, eu tomei algumas atitudes como adotar um estilo de vida mais simples e ao mesmo tempo investir mais em pessoas.
      Aqui dois textos sobre isso:
      http://nomadan.org/62-milhoes/
      http://nomadan.org/viajar/

      Espero com isso lhe ajudar e volte sempre! Fico lisonjeado responder seus comentários.

      Um abraço!

    • Oi André.
      Penso que, infelizmente, estabilidade é uma ilusão. Se você trabalha em uma empresa, você é apenas mais uma peça substituível lá dentro, se a empresa entrar em crise ou período de contenção por algum motivo (e existem vários, até mesmo em mercados estáveis) você pode ser descartado a qualquer momento, tenho visto isso acontecer até em empresas públicas, como na Companhia de Água e Esgoto do RJ.
      Se você é empreendedor, um concorrente pode surgir com força e te prejudicar, reduzindo a sua “estabilidade financeira” mensal…
      O problema é que enquanto nada disso acontece, o tempo vai passando e nós continuamos desfrutando dessa ilusão financeira e sendo contaminados pelo meio, bombardeados com propagandas e pessoas que adquirem coisas que não precisam por puro luxo e status social.

      Além da coragem que é necessária para cair no mundo, acho importante também ter desapego material. Cara, se você tiver essas 2 qualidades, você pode fazer tudo e com a sua família!
      Segue aqui uma história de um casal brasileiro que largou tudo e foi viajar com os filhos, existem diversas histórias como essa na internet, inclusive com blogs específicos para tratar essa iniciativa, só pesquisar por “casal largou tudo viajar”

      http://www.hypeness.com.br/2014/01/casal-brasileiro-larga-os-empregos-e-decide-viajar-o-mundo-a-baixo-custo-com-a-filha/

  5. Conheci seu blog por acaso e já o acompanho… Amei sua história e me identifico em alguns aspectos. Quero sair do Brasil com o mesmo propósito do seu. Já tenho meu blog, quero trabalhar puramente com a internet. Amei a frase que citou … minha irmã sempre a cita pra mim por dizer que sempre corro atrás do que quero e acredito no impossível. Mas estou meio bundona em dar o primeiro passo. Você faz algum tipo de webinário para passar essas dicas pra gente. Obrigada Raquel

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